O surto de ebola na República Democrática do Congo ganhou novos contornos de preocupação nesta semana. Em apenas um dia, foram registrados 71 novos casos da doença e mais 21 mortes, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Pública do Congo.

Com isso, o número de casos confirmados chegou a 452, enquanto 82 mortes já foram oficialmente registradas entre pacientes diagnosticados com o vírus.

O aumento acelerado dos casos acontece principalmente na província de Ituri, no leste do país, considerada o epicentro da crise sanitária. A cidade de Mongbwalu, conhecida pela mineração artesanal de ouro, passou a contar com um laboratório próprio para análise das amostras, o que reduziu o tempo de confirmação dos casos suspeitos.

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Pesquisadores do CDC, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, fizeram um alerta importante: o atual surto pode se transformar em uma das maiores epidemias de ebola já registradas no mundo, caso as medidas de contenção não sejam ampliadas rapidamente.

Segundo os especialistas, o tamanho da epidemia no momento em que ela foi descoberta indica que o vírus já circulava silenciosamente nas comunidades há semanas.

O surto já atingiu mais de duas dezenas de zonas de saúde em três províncias do Congo e chegou até Uganda, país vizinho, onde 19 casos já foram confirmados.

A situação se torna ainda mais delicada por causa da realidade da região afetada. O leste do Congo enfrenta conflitos armados, deslocamentos de famílias, fronteiras com pouca fiscalização e sistemas de saúde considerados frágeis. Tudo isso dificulta o rastreamento dos contatos e o isolamento rápido dos pacientes infectados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o África CDC lançaram um plano emergencial para tentar conter a disseminação da doença. O objetivo é arrecadar mais de US$ 319 milhões até novembro para fortalecer as ações nos países afetados e preparar as nações vizinhas.

De acordo com autoridades sanitárias, muitos pacientes começaram a apresentar sintomas entre os dias 14 e 23 de maio, seguido por uma nova onda de casos entre 25 de maio e 3 de junho. O padrão reforça a suspeita de transmissão comunitária antes mesmo do reconhecimento oficial do surto.

Um estudo do CDC dos Estados Unidos aponta que o vírus pode ter começado a circular entre janeiro e fevereiro deste ano. Em um cenário considerado crítico, caso apenas 20% dos pacientes sejam identificados e isolados rapidamente, existe uma probabilidade de 65% de o surto ultrapassar 20 mil casos em apenas três meses.

Apesar da preocupação, alguns indicadores mostram melhora na resposta das equipes de saúde. O rastreamento de contatos aumentou nos últimos dias e cerca de 4.800 pessoas estão sendo monitoradas.

Mesmo assim, os trabalhos enfrentam dificuldades constantes. A Cruz Vermelha informou que voluntários responsáveis por operações de sepultamento seguro foram atacados na cidade de Bunia. Alguns socorristas ficaram feridos.

“As agressões contra voluntários colocam vidas em risco e dificultam o controle do surto”, afirmou a entidade.

Outro fator que preocupa especialistas é que, diferente da cepa Zaire do ebola — responsável pelas maiores epidemias conhecidas —, ainda não existe vacina licenciada ou tratamento oficialmente aprovado para a variante Bundibugyo, identificada neste novo surto.

As autoridades internacionais tentam evitar que a doença saia do controle em uma região já marcada pela instabilidade social e pela dificuldade de acesso à saúde. O avanço rápido dos casos acendeu o alerta global e reforçou o temor de uma nova grande crise sanitária na África.

FONTE/CRÉDITOS: G1