A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira (11) a formação do El Niño, fenômeno climático natural que ocorre quando as águas da superfície do Oceano Pacífico, perto da linha do Equador, ficam mais quentes que o normal. A confirmação importa para quem mora em Lençóis e região porque o evento altera o padrão de chuva e calor no Sudeste — justamente no período de plantio, colheita e maior consumo de energia.

Segundo a NOAA, as condições do fenômeno já estão estabelecidas e devem se intensificar nos próximos meses. A agência aponta 63% de probabilidade de que o El Niño se torne muito forte, com potencial para entrar no grupo dos maiores eventos registrados desde 1950. O pico previsto no Brasil é entre novembro e janeiro.

No Sudeste, onde fica Lençóis Paulista, os impactos costumam ser irregulares: calor mais frequente, pancadas de chuva mal distribuídas e mudança no comportamento das frentes frias. Na prática, isso significa períodos secos seguidos de temporais concentrados — um cenário que exige atenção de quem trabalha no campo e de quem cuida da cidade.

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O El Niño faz parte de um ciclo natural do clima, que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras. Ele é caracterizado pelo aquecimento de 0,5°C ou mais nas águas do Pacífico equatorial, ocorre a cada dois a sete anos e dura, em média, doze meses.

O fenômeno, sozinho, não causa o aquecimento global — é uma variação natural. Mas, quando aparece num planeta já mais quente, tende a reforçar extremos de calor, seca e chuva intensa. Foi o que aconteceu no episódio de 2023–2024, um dos mais fortes já registrados, ligado a novos recordes de temperatura.

Um El Niño forte pode afetar a agricultura, os reservatórios de água, a geração de energia, as queimadas e até o preço de alimentos em algumas regiões — pontos que pesam diretamente no orçamento das famílias e dos produtores da nossa área.

Ainda não é possível cravar se será um "super El Niño", termo usado de forma informal para eventos muito intensos como os de 1982-83, 1997-98 e 2015-16. A força final vai depender de quanto o Pacífico vai aquecer e, principalmente, de como a atmosfera vai responder.

O que a população deve observar nos próximos meses é simples: previsão do tempo antes de plantios e obras, cuidado redobrado em dias de calor extremo e atenção a temporais isolados. Vale cobrar do poder público planejamento para estiagem, risco de queimadas e manutenção da rede de drenagem antes do período mais crítico.

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