A micro região da cidade de Lençóis Paulista já está sendo palco de uma intensa movimentação entre profissionais de comunicação e especialistas em marketing político, que estão sendo consultados e escalados para trabalhar nas eleições municipais. O alerta se dá em meio à crescente ameaça das chamadas 'deepfake', ferramentas de inteligência artificial que utilizam manipulação de vozes e imagens para criar discursos fictícios e prejudicar a imagem de adversários políticos.

 

A pré-campanha para as eleições de 2024 na região tem sido marcada por políticos se antecipando e capacitando suas equipes para enfrentar uma nova e preocupante fase de fake news 2.0. Casos suspeitos de adulteração de áudios com o uso de inteligência artificial foram recentemente identificados em diversos estados brasileiros, incluindo Manaus, Rio Grande do Sul e Sergipe.

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Em Manaus, o prefeito David Almeida (Avante) denunciou à Polícia Federal ter sido alvo de deepfake, onde sua voz foi recriada artificialmente para proferir declarações ofensivas aos professores da rede municipal de ensino. Este episódio, que está sendo tratado como um laboratório pela PF, serve como alerta para políticos em outras regiões, incluindo Lençóis Paulista e região, que já se preparam para a guerra digital.

 

A manipulação de sons e vídeos, conhecida como "deepfake", cria uma situação em que eleitores podem ser enganados, acreditando que seus candidatos disseram algo que, na realidade, não disseram. Políticos em outros estados, como Marco Aurélio Nedel (PL) e Gustinho Ribeiro (Republicanos), também relatam terem sido vítimas dessa prática, com o objetivo de difamar suas imagens perante os eleitores.

 

Diante desse cenário, especialistas alertam que as próximas eleições exigirão dos marqueteiros e profissionais de comunicação não apenas a expertise na criação de narrativas e produção de conteúdos segmentados, mas também a identificação da utilização de ferramentas de inteligência artificial pelos adversários na produção de conteúdo manipulado. A ausência de regulamentações específicas torna a prevenção e detecção dessas práticas um desafio, tornando esses profissionais especializados em novas tecnologias uma vantagem considerável para os grupos políticos que buscam a vitória nas eleições.

 

O Congresso Nacional, representado pela Câmara e pelo Senado, está acelerando a tramitação de propostas relacionadas ao tema, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) planeja realizar audiências públicas para editar resoluções que proíbam a manipulação de voz e imagens com conteúdo falso, podendo até mesmo resultar na cassação do mandato. Enquanto isso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública acompanha e estuda medidas para enfrentar o problema, destacando a urgência na regulamentação do uso da inteligência artificial no país. Em meio à incerteza, a preparação tecnológica das equipes políticas se torna crucial para garantir a integridade do processo eleitoral e combater as práticas prejudiciais à democracia.

 

Marcos Xavier