Na pacata cidade de Macatuba, um cidadão cansado do descaso resolveu que era hora de denunciar as mazelas que assolam o Centro de Apoio e Recreação do Trabalhador (CART). Um lugar que, nas palavras do denunciante, deveria ser um espaço público bonito e bem cuidado, mas que, na prática, se tornou um exemplo de negligência e desleixo por parte da prefeitura municipal.

 

Ao adentrar o CART, na última quinta-feira, 9 de novembro, a equipe do jornal Atitude não encontrou apenas um parque público comum, mas sim um campo de batalha onde os brinquedos quebrados se misturam a sujeiras deixadas por frequentadores. A ironia do termo "Centro de Apoio e Recreação" ganha vida quando se percebe que, na verdade, é um centro de resistência à manutenção e à zeladoria.

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A reportagem foi além e destacou a situação triste a qual convivem os atletas na quadra de futebol, onde o único bebedouro disponível parece ter desistido de cumprir sua função há tempos. A ironia atinge o auge ao ver que até mesmo a hidratação dos atletas é deixada de lado, reforçando a ideia de que no CART, o esporte é um mero coadjuvante do descaso geral.

 

Contudo, o ponto alto da denúncia e o que chamou a atenção da equipe do Atitude foi a piscina pública, que, ao que parece, está mais para um lago abandonado. A água verde, repleta de folhagem e lixo, não só é um convite ao mosquito da dengue como também uma afronta àqueles que ainda acreditam na existência de espaços públicos de lazer.

 

Diante das irregularidades escancaradas, a equipe do Atitude enviou um e-mail à assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Macatuba, buscando respostas sobre a situação calamitosa do CART. Este jornalista, que está subscreve, questionou as razões para a falta de manutenção, os planos para reparos e melhorias, e, especialmente, sobre o estado de abandono das piscinas.

 

A resposta da Prefeitura não decepcionou no quesito ironia. As fotos apresentadas pela reportagem foram descartadas como antigas ou tiradas após alguma chuva, como se uma tempestade pudesse justificar a condição crônica de abandono do local. Segundo a resposta, os brinquedos estão "aptos ao uso" e o CART é "frequentemente utilizado pela população", uma afirmação que provavelmente arrancaria risadas amargas dos usuários.

 

Quanto às piscinas, a justificativa é de que houve uma reforma em 2020, mas problemas estruturais impediram a conclusão. A piscina, agora mais verde que a bandeira brasileira, está, segundo eles, em processo de "decantação", um termo que provavelmente é desconhecido até mesmo pelos frequentadores mais assíduos do CART.

 

A nota da Prefeitura termina com um convite para que o editor do Atitude conheça o espaço pessoalmente, sugerindo que talvez uma visita presencial seja necessária para apreciar toda a grandiosidade do descaso administrativo.

 

Enquanto o CART de Macatuba segue sua jornada entre o abandono e a "atenção" da prefeitura, resta à população local e aos frequentadores decidirem se vale a pena continuar depositando suas expectativas em um lugar que, ao que parece, se esforça para desapontar.

 

Em meio a esses dias abrasadores, em que o termômetro insiste em quebrar recordes de temperatura, é impossível não sentir a pele arder de indignação. E não, não é apenas o sol escaldante que nos deixa vermelhos, mas sim a frustração diante do descaso evidente. Nada menos que três anos de gestão e a atual administração não foi capaz sequer de revigorar duas simples piscinas, que poderiam servir como um refúgio para os macatubenses, já quentes pelas inúmeras negligências públicas que prometemos abordar em breve.

 

Marcos Xavier

Jornalista do Povo