Dois secretários municipais de Bauru e outras três pessoas foram presos nesta quarta-feira (9) durante uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. A investigação apura suspeitas envolvendo a licitação para concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos do município.

Entre os presos estão Vitor João de Freitas Costa, secretário municipal de Negócios Jurídicos, e Cilene Bordezan, secretária municipal de Meio Ambiente. Também foram detidos Sara Moura de Jesus, secretária-adjunta de Meio Ambiente; Roldão Neto, coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente; e Gisele Moreti, presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (Ascam).

Os investigados foram conduzidos à Central de Polícia Judiciária (CPJ) da Polícia Civil de Bauru para prestar depoimento.

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As diligências atingiram diferentes endereços ligados à administração municipal. Equipes estiveram no Centro Administrativo, onde funciona a Secretaria de Meio Ambiente, na Vila Falcão; na sede da Secretaria de Negócios Jurídicos, na rua Araújo Leite; e na sede do governo municipal, na Praça das Cerejeiras.

A residência de Cilene Bordezan, em Sorocaba, também foi alvo de diligências. Servidores públicos que trabalhavam nos locais foram dispensados do expediente durante a operação.

Operação investiga licitação bilionária

Batizada de Operação Cavalo de Troia, a ação busca aprofundar a investigação sobre suspeitas de fraude na licitação destinada à concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos de Bauru.

Paralelamente, foram realizadas diligências da Operação Mobius, que apura possíveis irregularidades relacionadas a um contrato de coleta seletiva.

A contratação investigada prevê uma concessão por 30 anos, com valor global estimado em R$ 5.259.651.116,06, considerando valores de fevereiro de 2026. Segundo as informações divulgadas pelo Gaeco, trata-se da maior contratação pública já projetada na história do município.

De acordo com a investigação, os indícios levantados não estariam restritos a uma cláusula do edital. O Gaeco sustenta que o suposto direcionamento teria sido estruturado em diferentes etapas, desde a concepção da concessão e elaboração dos estudos técnicos até a definição de critérios de habilitação e pontuação.

A apuração também menciona contratação de consultorias, preparação de documentos oficiais e ações diante de questionamentos ao edital e da participação de potenciais concorrentes.

Segundo o Gaeco, o objetivo do suposto esquema seria favorecer uma empresa interessada na disputa. As afirmações fazem parte da investigação em andamento e ainda deverão ser analisadas no decorrer do procedimento.

Investigação apura atuação de agentes públicos e privados

As apurações apontam ainda indícios da participação coordenada de agentes públicos, dirigentes e funcionários de empresa privada, consultores e intermediários.

Segundo o Ministério Público, foram identificados elementos relacionados a possíveis pagamentos e vantagens, circulação reservada de documentos e interferência na elaboração de manifestações administrativas.

O Gaeco também investiga estratégias que teriam sido utilizadas para reduzir a concorrência no processo e preservar um possível direcionamento da licitação.

Outro ponto citado pela investigação envolve informações pessoais de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que teria relação com a relatoria de procedimento no órgão.

De acordo com o Gaeco, comunicações obtidas durante a investigação apontariam tentativas de aproximação com pessoas ligadas a instituições públicas para obtenção de informações privilegiadas e eventual oferecimento de vantagens indevidas.

Todos esses pontos permanecem sob investigação e deverão ser individualizados conforme o avanço das apurações.

Crimes investigados

A operação busca aprofundar a apuração de possíveis crimes de fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa, além de eventuais outros delitos que possam ser identificados.

As medidas judiciais foram autorizadas pela Vara Regional das Garantias da 3ª Região Administrativa Judiciária de Bauru.

Segundo o Gaeco, as diligências têm como objetivos preservar provas, esclarecer a origem e o destino de eventuais pagamentos e identificar a participação individual de cada investigado.

A apuração está em andamento. As suspeitas apresentadas pela investigação não representam condenação e a eventual responsabilidade de cada pessoa citada deverá ser definida a partir das provas e dos procedimentos legais.

NOTA DA PREFEITURA DE BAURU — NA ÍNTEGRA

A Prefeitura de Bauru informou que respeita a atuação institucional do Ministério Público do Estado de São Paulo e o trabalho desenvolvido no âmbito das investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

“A Administração Municipal irá colaborar integralmente com as autoridades competentes e permanece à disposição para fornecer documentos, informações e todos os esclarecimentos que forem solicitados no decorrer das investigações. Até o momento, a Prefeitura não foi oficialmente informada sobre o inteiro teor do objeto da investigação, tampouco teve acesso aos elementos que fundamentaram as diligências realizadas nesta quarta-feira (9). Diante disso, a Administração Municipal considera necessário aguardar o conhecimento formal dos fatos e dos documentos relacionados à investigação antes de se manifestar sobre questões específicas. A Prefeitura reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o interesse público e prestará todo o apoio necessário para o completo esclarecimento dos fatos.”
FONTE/CRÉDITOS: JCNET