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A sombra da incerteza paira sobre a Volato Aviões e Compósitos S/A, empresa que há mais de uma década se instalou neste município, trazendo esperança e promessas de crescimento. Hoje, porém, o cenário é desolador, marcado pela falta de apoio da Prefeitura Municipal, que parece ter virado as costas para uma história que poderia ser de sucesso.
Em 2012, na gestão da ex-prefeita Isabel Cristina Campanari Lorenzetti (PSDB), a prefeitura cedeu uma área à Volato, gesto que, na época, simbolizou uma parceria promissora. A empresa, em pleno funcionamento, assegurou contratos até 2025, prometendo não apenas produzir aviões, mas também impulsionar a economia local.
No entanto, um passado marcado por adversidades parece ter selado o destino da Volato. Uma década atrás, a empresa enfrentou uma crise monumental quando teve suas operações interrompidas devido a regulamentações da ANAC, que proibiam a construção de aviões experimentais em território nacional. Esforços para adaptação foram insuficientes naqueles dias difíceis.
O que causa perplexidade é a postura atual da Prefeitura Municipal. Enquanto outras empresas, que ocupam espaços cedidos pelo município, desfrutam de apoio inabalável, a Volato se vê à mercê de um ultimato cruel. Na última quinta-feira, 19 de outubro, a empresa foi notificada pelo oficial de justiça da 1º Vara de Lençóis Paulista de que tem míseros 30 dias para desocupar o imóvel que, vale ressaltar, foi construído pela própria empresa, pois a prefeitura cedeu apenas o terreno.
Tentativas da Volato de se reunir com o atual prefeito, Anderson Prado de Lima, têm sido frustradas. Nos bastidores, murmúrios indicam que interesses escusos podem estar em jogo. Um ex-vereador, suposto aliado e padrinho político do prefeito, parece ter olhares cobiçosos sobre a área em questão.
A população observa com apreensão, torcendo por um desfecho diferente. Existe uma esperança de que o poder público reveja sua decisão, buscando um acordo que permita à Volato permanecer na cidade. Afinal, além dos empregos e receitas gerados, os aviões produzidos por ela levam o nome de Lençóis Paulista para além das fronteiras, promovendo a cidade como um pólo de inovação e desenvolvimento.
A triste saga da Volato Aviões é um lembrete amargo de como as promessas de ontem podem se transformar em desolação hoje. Cabe à Prefeitura Municipal decidir se será parte desse lamento ou se terá a coragem de reescrever essa história, dando à Volato a chance de continuar a ser parte integrante do futuro de Lençóis Paulista.
Marcos Xavier
Jornalista do Povo
Publicado por:
Jornal Atitude
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