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Passados 12 anos da morte de Ariano Suassuna, um dos maiores escritores da literatura brasileira, sua obra mais famosa continua atravessando gerações e mostrando que boas histórias nunca envelhecem. Escrita em 1955, "O Auto da Compadecida" segue encantando leitores e espectadores ao unir humor, crítica social, religiosidade e a riqueza da cultura popular nordestina.
Em Bauru, esse legado ganhou uma nova interpretação. A companhia Arte em Cena, criada em 2023, decidiu levar o clássico aos palcos em formato de musical, mantendo a essência do texto original que eternizou personagens como João Grilo e Chicó.
A adaptação foi autorizada pela Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus), responsável pelos direitos da obra junto à família de Suassuna. Para o diretor e ator Eduardo Carriel, que também interpreta João Grilo, o maior desafio foi incluir a música sem descaracterizar a narrativa.
"O texto de Suassuna já é completo. Transformá-lo em música sem perder sua força exigiu muito respeito à obra", explicou.
A inspiração veio da minissérie "Hoje é Dia de Maria", dirigida por Luiz Fernando Carvalho. A ideia foi incorporar canções que dialogassem com a história, aproximando ainda mais o público sem alterar o tom original da peça.
Grande parte do elenco é formada por alunos dos cursos de teatro e teatro musical da própria companhia, mostrando que o clássico também serve de escola para novos artistas.
Mais de sete décadas após sua criação, "O Auto da Compadecida" continua atual porque fala de temas universais como justiça, desigualdade, fé e esperança. A prova está nas novas adaptações que surgem pelo país, mantendo viva a genialidade de Ariano Suassuna e apresentando sua obra para um público que continua rindo, refletindo e se emocionando com João Grilo e Chicó.
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