Na iminência de uma decisão crucial, os holofotes se voltam para a Câmara Municipal de Macatuba, onde muito provavelmente na próxima segunda-feira (19), os vereadores se preparam para deliberar sobre um projeto do prefeito Anderson Ferreira (PSD) que tem gerado controvérsias e suspeitas.

 

O projeto em questão solicita a aprovação de um montante adicional de R$ 180 mil para a conclusão da reforma do velório municipal central da cidade, que está inativo desde o meio do ano passado. O que era para ser uma revitalização necessária, acabou se transformando em um verdadeiro cabo de guerra entre a gestão municipal e os ‘representantes’ do povo.

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Inicialmente orçada em R$ 155 mil, a obra do velório municipal central se mostrou uma verdadeira saga de desafios e imprevistos. O dinheiro esgotou-se, mas a conclusão da reforma permaneceu uma miragem distante. Mais desconcertante ainda foi a decisão da prefeitura de iniciar a obra sem oferecer qualquer alternativa pública para os munícipes de Macatuba velarem seus entes queridos, uma vez que as instalações do velório estavam indisponíveis.

 

Enquanto isso, a situação nos cemitérios municipais lança uma sombra ainda mais densa sobre a gestão pública. No cemitério novo, cujo projeto foi iniciado na gestão anterior, os problemas se acumulam: falta de infraestrutura básica como rede de água e esgoto, mobília insuficiente e túmulos com gavetas tão profundas que requerem equipamentos pesados para sepultamentos.

 

Além disso, embora exista uma sala velório no cemitério novo, esta está fora de operação. Mesmo ciente dessas adversidades, a prefeitura optou por não concluir o velório do cemitério novo e, ao mesmo tempo, inativou completamente o velório municipal do cemitério antigo para reformas, sem oferecer alternativas públicas adequadas para os cidadãos.

 

Diante desse cenário nebuloso, o pedido de mais R$ 180 mil para a conclusão da reforma do velório municipal central suscitou suspeitas entre os vereadores. Sem terem discutido detalhadamente o PRIMEIRO projeto, eles decidiram adiar a votação do SEGUNDO e, mais significativamente, quatro vereadores assinaram o pedido de abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar possíveis irregularidades na obra.

 

Agora, meses depois, e após quase dez dias de paralisação legislativa para o carnaval, os vereadores decidiram, segundo informações extraoficiais, retomar a discussão sobre o projeto do prefeito na próxima sessão legislativa. Entretanto, paira no ar a incerteza sobre o desfecho desta saga: seria este um xeque-mate no prefeito ou apenas o início de uma batalha prolongada?

 

O que a população macatubense espera é uma conclusão rápida e eficaz da reforma do velório municipal, pondo fim ao sofrimento causado pela falta de estrutura adequada. Que os vereadores e o prefeito cheguem a um entendimento, e que, caso haja irregularidades, estas sejam investigadas minuciosamente sem prolongar o sofrimento da população. A decisão que será tomada na segunda-feira (19) pode ser determinante não apenas para o desfecho dessa controvérsia, mas também para a confiança da população na gestão pública local.

 

Marcos Xavier

Jornalista do Povo